
Reprodução contextual, gerada por IA.
1992 - Praça do Paratodos em Botucatu, interior de São Paulo. Eu tinha 18 anos, contra-baixo na mão, amplificador ligado na tomada improvisada. Minha banda, The Dud's, tocando no meio do protesto “Fora Collor”. Sim, eu estava lá. A multidão gritava, a gente tocava alto, e eu tinha certeza absoluta de que estávamos mudando o país, assim como todo jovem sonha em fazer.
Acreditei. Acreditei que tirar aquele presidente resolveria tudo. Que o Brasil finalmente ia acertar. Que a democracia, enfim, ia funcionar.
Collor caiu. E o Brasil continuou sendo Brasil.
Semana passada comemoramos o 7 de Setembro e me veio essa lembrança. Dia da Independência. 204 anos desde que o Brasil se declarou independente de Portugal. E eu fiquei pensando: quantos brasileiros são de fato independentes? Quantos empreendedores, quantos profissionais, quantos trabalhadores construíram uma vida que não depende de quem está no Planalto?
Porque eu sobrevivi a todos os presidentes desde aquele dia na praça (até alguns antes deles, pois já tinha 18 anos); Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro, Lula de novo. Sete presidentes. Quatorze eleições. Trinta e quatro anos.
E sabe o que aprendi? Nenhum deles resolveu minha vida assim como nenhum deles destruiu minha vida.
O Brasil oscila. Sempre oscilou. Ciclos bons, ciclos ruins. Economia aquecida, economia travada. Esperança, desilusão, esperança de novo. E no meio disso tudo, o empreendedor acorda todo dia e precisa sobreviver, crescer, pagar conta, tomar decisão.
Independente de quem estiver sentado naquela cadeira.
O voto que não muda nada (e o voto que muda tudo)
Não estou dizendo para não votar. Vote. Escolha. Exerça seu direito. Mas não deposite sua vida nisso.
Porque a verdade incômoda que aprendi nesses 34 anos é simples: presidente nenhum vai resolver seus problemas. E presidente nenhum vai afundar sua vida se você tiver construído ela com solidez.
Olha para trás. Pega os últimos 20, 30 anos. Houve governo que ajudou? Sim. Houve governo que atrapalhou? Sim. Mas no final das contas, quem prosperou foi quem construiu estrutura própria. Quem diversificou receita. Quem não dependeu de um único cliente, de um único canal, de uma única política pública.
Quem votou em si mesmo. Todo dia.
Os estoicos já sabiam disso há dois mil anos: Marco Aurélio governava Roma, o maior império do mundo, e ainda assim escrevia: "Você tem poder sobre sua mente, não sobre eventos externos. Perceba isso, e encontrará força."
Presidente eleito não depende de você. Política econômica não depende de você. Crise global não depende de você.
Mas a forma como você estrutura seu negócio? Depende.
A forma como você diversifica suas fontes de receita? Depende.
A forma como você constrói relacionamento com seus clientes? Depende.
A forma como você se prepara para os ciclos ruins? Depende.
Essa é a única eleição que importa. E ela acontece todo dia, não de quatro em quatro anos.
1992: Eu acreditava que o sistema ia me salvar
Lembro da euforia daquele protesto. A sensação de que estávamos escrevendo história e de que, finalmente, o país ia virar a página e tudo ia melhorar.
E melhorou? Em partes. Piorou? Em partes. Mas a vida seguiu sendo o que sempre foi: uma sequência de decisões diárias que você toma ou não toma.
Eu larguei aquela praça achando que o Brasil tinha mudado. Mas quem tinha que mudar era EU. Nos anos seguintes, aprendi a não esperar. Aprendi que ninguém ia construir minha carreira por mim. Que nenhum governo ia garantir meu sustento. Que nenhuma política pública ia me salvar se eu não tivesse feito a lição de casa.
E assim fui trilhando meu caminho e construindo minha reputação. Aprendi habilidades que ninguém podia tirar de mim. Criei sistemas que funcionavam independente de quem estava no poder. Diversifiquei. Me adaptei. Sobrevivi.
E continuo sobrevivendo. Não porque algum presidente foi bom. Mas porque parei de esperar que alguém resolvesse por mim.
2026: Você ainda acredita que o sistema vai te salvar?
Estamos em ano de eleição de novo. As redes sociais estão em chamas. Todo mundo brigando. Todo mundo achando que o país vai acabar se o "lado errado" ganhar. Todo mundo depositando esperança ou medo em um nome, em um partido, em uma promessa.
E eu olho para isso com a tranquilidade de quem já viu esse muitas vezes.
Vai mudar? Sim, algumas coisas vão mudar. Vai melhorar? Para alguns, sim. Vai piorar? Para outros, sim. Mas no final das contas, daqui a quatro anos, você vai estar exatamente onde suas decisões diárias te colocaram, não onde o presidente te colocou.
Então vou te fazer três perguntas. E não são perguntas políticas. São perguntas de independência real.
1. Se o próximo governo travar a economia amanhã, você aguenta seis meses?
Se a resposta é não, o problema não é o governo. É sua reserva de emergência. É sua dependência de um único cliente, de um único produto, de um único fluxo de caixa.
2. Se o próximo governo aquecer a economia, você está pronto para aproveitar?
Se a resposta é não, o problema não é o governo. É a falta de estrutura, de processos, e capacidade de escalar quando a oportunidade bater na porta.
3. Se o próximo governo não fizer nada relevante para seu setor, você ainda tem plano?
Se a resposta é não, o problema não é o governo. É você esperando salvação externa quando deveria estar construindo soberania interna.
Independência não se declara em setembro. Se constrói em janeiro.
Recentemente comemoramos o 7 de setembro. Dia da Independência. Mas independência real não se declara em um grito às margens de um rio. Se constrói em decisões diárias, pequenas, chatas, invisíveis.
Independência é ter mais de uma fonte de receita.
Independência é ter reserva financeira para atravessar crise.
Independência é ter habilidades que ninguém pode tirar de você.
Independência é ter clientes que confiam em você, não em promoção.
Independência é ter processos que funcionam sem você estar presente 24 horas.
Independência é ter canais próprios de comunicação, que não dependem de algoritmo de terceiro.
Independência é acordar e saber que, aconteça o que acontecer em Brasília, você tem estrutura para seguir. Pode não ser fácil. Pode exigir adaptação. Mas você não afunda.
E isso não se conquista votando bem. Se conquista trabalhando bem. Planejando bem. Construindo bem.
O voto diário
Então, sim, vote. Escolha. Participe. Mas não brigue. Não deposite sua paz mental em algo que você não controla. Não gaste energia achando que o país vai acabar ou finalmente se salvar dependendo de quem ganhar.
Porque no final das contas, o único voto que realmente vai mudar sua vida é o que você dá para si mesmo. Todo dia.
Você vota em si mesmo quando acorda e faz a tarefa difícil que está adiando.
Você vota em si mesmo quando investe em aprender algo novo.
Você vota em si mesmo quando diversifica ao invés de colocar todos os ovos na mesma cesta.
Você vota em si mesmo quando constrói reserva ao invés de gastar tudo.
Você vota em si mesmo quando cuida da sua saúde, sono e mente.
Essa é a única eleição que importa. E ela não acontece de quatro em quatro anos. Acontece de hora em hora.
34 anos depois daquela praça
Olho para trás e vejo aquele garoto de 18 anos, contra-baixo fazendo os graves e gritando "Fora Collor" com a certeza de que estava mudando o mundo.
Não mudei o mundo. Collor caiu, mas o Brasil continuou sendo Brasil. E eu continuei sendo eu.
A diferença é que hoje eu sei: minha independência não depende de quem ganha eleição. Depende de quantas vezes eu acordo e escolho construir algo sólido, algo meu, algo que ninguém pode tirar com uma canetada.
Então vota. Mas não pare no voto. Porque depois das urnas fecharem, a vida continua. E ela vai continuar sendo construída pelas escolhas que você faz todo dia, não pelas promessas que ouviu na campanha.
Um abraço,
Edson Egilio
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